23 de mai. de 2013

Nada

Eu estaria finalmente aprendendo a dizer adeus. Deixava ir. Deixava ficar. Tanto faz. Muitas vezes eu parava no meio da longa estrada da vida para me perguntar se estaria mesmo. Enquanto isso, ia.

Por muitas vezes desejei não esquecer. Desejei forte. Prometi a mim mesma. Acreditei. Tive certeza. Tinha certeza.

Por muitas vezes, desejei esquecer. Decidi cortas as raízes. Decidi apagar. Tentei não lembrar. Fingi esquecer. Agi vazia por dentro, como alguém que não sente.

A doce lembrança que você deixou muitas vezes e' questionada pelo meu coração  Alias, pelo meu coração  não. Pela minha mente. Porque este meu coração e' mole como uma criança. Confesso que muitas vezes fechei os dedos, como a não deixar escapar das minhas mãos aquilo que eu julgava nunca morrer por dentro. Mas chegou o tempo de eu esquecer - e como eu desejei que este tempo chegasse! Desde que iniciei minha caminhada em uma tarde de neblina fria, sozinha, desejei esquecer você, que se foi.

Pegue suas roupas, seus cadernos e sua mala. Pegue as folhas de rascunho escritas para a faculdade. Pegue seus livros de politica e a característica que mais te descreve - e que não vou citar aqui. Pegue suas lembranças por onde passou nesse mundo, sua viagem a America Latina e os amores que conquistou. Pegue seu sotaque e as muitas línguas que fala. Pegue sua historia e a historia da formação do mundo como ele e' hoje. Pegue sua participação na II Guerra Mundial e os vestígios que deixou. Pegue sua viagem as terras francesas e outros significados que acrescento a isto. Pegue as comidas que cozinhou e as viagens de ônibus  Pegue os convites para jantar fora e as lições que me deu. Pegue também tudo o que te ensinei e tudo o que não te ensinei porque preferi ficar calada. Pegue as experiencias e as novidades e a bicicleta, que e' para não se perder no caminho. Pegue também o avião  Pegue aquela noite que ficou marcada no meu coração machucado, aquela noite em que você me machucou. Pegue os encontros apos as aulas, a sua espera por mim na porta da faculdade. E nossas brigas. Pegue todos os sorvetes que um dia você me daria porque, de você  eu não quero nada. Pegue bolsas e enche-as de historias para contar para seus familiares quando voltar para casa. Pegue os presentes que me deu também  por favor. Pegue o trem. Pegue os cadáveres dos judeus que foram mortos. Pegue os venenos do campo de concentração.  E não se esqueça de pegar o mau feito aos ciganos europeus. Pegue tudo, menos a minha mão  E pegue o futuro de a guerra aqui não ter chegado. Porque se tivesse chegado, não mais haveria EU.

Pegue tudo isso e transforme em nada.

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