Por vezes torna-se tão difícil expressar-me em palavras. Logo eu, que tenho apenas este recurso!
Sinto que quero escrever, mas sei que nada tenho. Vejo que, o que habita aqui dentro - este sentimento que tantas vezes transformo em palavras - vai-se indo para longe, como para o fim de uma rua na União Soviética.
Sinto que esta morrendo. Torço para que sim, reluto para que não. Vivo sempre neste redemoinho, sem conseguir libertar-me a mim mesma. Sim, eu.
O que vou lhe escrever é tão difícil, é tão silencioso. E é tão real que não precisa ser dito. As coisas são assim: quanto mais intensas e verdadeiras, mais silenciosas. Falar para que, se posso escrever?
25 de jun. de 2014
15 de jun. de 2014
A Birthday Present ...
[...]
I do not want much of a present, anyway, this year.
After all I am alive only by accident.
[...]
Can you not see I do not mind what it is.
Can you not give it to me?
Do not be ashamed--I do not mind if it is small.
Do not be mean, I am ready for enormity.
Let us sit down to it, one on either side, admiring the gleam,
The glaze, the mirrory variety of it.
Let us eat our last supper at it, like a hospital plate.
I know why you will not give it to me,
You are terrified
[...]
I will only take it and go aside quietly.
You will not even hear me opening it, no paper crackle,
No falling ribbons, no scream at the end.
I do not think you credit me with this discretion.
If you only knew how the veils were killing my days.
To you they are only transparencies, clear air.
But my god, the clouds are like cotton.
Armies of them. They are carbon monoxide.
Sweetly, sweetly I breathe in,
Filling my veins with invisibles, with the million
[...]
Is it impossible for you to let something go and have it go whole?
Must you stamp each piece purple,
Must you kill what you can?
There is one thing I want today, and only you can give it to me.
[...]
I would admire the deep gravity of it, its timeless eyes.
I would know you were serious.
There would be a nobility then, there would be a birthday.
And the knife not carve, but enter
Pure and clean as the cry of a baby,
And the universe slide from my side.
Sylvia Plath
1 de jun. de 2014
Yesterdays were like a holy sonnet
Death, be not proud, though some have called thee
Mighty and dreadful, for thou art not so;
For those whom thou think'st thou dost overthrow
Die not, poor Death, not yet canst thou kill me.
From rest and sleep, which but thy pictures be,
Much pleasure, then from thee much more must flow,
And soonest our best men with thee do go,
Rest of their bones, and soul's delivery.
Thou art slave to fate, chance, kings, and desperate men,
And dost with poison, war, and sickness dwell,
And poopy or charms can make us sleep as well
And better than thy stroke; why swell'st thou then?
One short sleep past, we wake eternally
And death shall be no more; Death, thou shalt die.
(John Donne)
Mighty and dreadful, for thou art not so;
For those whom thou think'st thou dost overthrow
Die not, poor Death, not yet canst thou kill me.
From rest and sleep, which but thy pictures be,
Much pleasure, then from thee much more must flow,
And soonest our best men with thee do go,
Rest of their bones, and soul's delivery.
Thou art slave to fate, chance, kings, and desperate men,
And dost with poison, war, and sickness dwell,
And poopy or charms can make us sleep as well
And better than thy stroke; why swell'st thou then?
One short sleep past, we wake eternally
And death shall be no more; Death, thou shalt die.
(John Donne)
29 de mai. de 2014
Hoje eu quero voltar sozinha
Hoje eu quero voltar sozinha, poder ser tudo o que eu seria.
Quero voltar sozinha por aquele caminho frio que já conheço. Quero andar sem medo de perder meus livros emprestados. Enquanto isso, soletrar palavras estrangeiras enquanto converso comigo mesma em uma outra língua qualquer. E, ao longo do caminho, ter meus olhos fixos nas janelas que são a alma das casas.
Hoje eu quero voltar sozinha, cuidar da minha casa como se ela fosse o meu coração. Reler meus trabalhos escritos que me deram tanto trabalho mas também tanta alegria. Quero correr pelo chão de cimento. Até me cansar, perder o folego, mas sorrir para vida.
Hoje eu quero voltar sozinha sob um céu azul escuro atrás de mim. Como protagonista da minha própria vida e concorrente a realizar meus sonhos. Quero escrever em um papel todas as minhas dúvidas, tristezas, pensamentos, memórias doces e conquistas. Quero tirar fotos com meus olhos e guardá-las la no fundo da minha mente distraída.
Hoje eu quero voltar sozinha por um caminho desconhecido, que passa por trás de um museu. Onde ninguém irá me ver porque quero estar sozinha. Quero fazer-me companhia porque gosto muito da minha própria presença, embora nem sempre eu me seja doce. Quero rabiscar as coisas inacabadas, dando um fim a elas. E levantar da cama ainda sem tirar as meias, sem a gastura de pisar no chão.
Desejo guardar comigo os meus segredos, porque são só meus e eu só os dividiria com minha mãe, a quem sei que me quer mais bem do que qualquer pessoa. Mas hoje eu quero voltar sozinha, voltar para um lugar que nunca deixei. Pular o muro porque acho que assim vou mais rápido. Não me importar com a semântica das palavras.
Hoje eu quero voltar sozinha por um caminho que é meu.
26 de mai. de 2014
Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
A bota que bate no solo, a passos firmes, e me provoca arrepios. Olho para cima e o contorno do seu corpo é moldado por um uniforme militar.
Perco-me em suas não-curvas, em seu corpo magro, em suas pernas bonitas, como me inspira. Paro-me em seus olhos. Encaro-os profundamente até me perder e me encontrar outra vez.
O cheio forte. Os cabelos ao vento que me chamam a atenção. As palavras rudes - ou seria apenas características da língua? Os gestos pequenos, o bosque logo acima, as ruas vazias e a neve derretida.
Embaixo dos meus braços, carrego um caderno. Nele escrevo aventuras. Suspiros. Sentidos. Desejos. Nele revivo tudo o que vivi um dia. Nele, está a minha vida.
E os passos largos, com pisadas fortes, continua a caminhar. Vai para um local ao norte que eu não sei onde, e neste momento me perco sozinha no caminho. Fui deixada para trás e sinto-me como uma aluna desorientada diante da tese. Estou no vazio deste mundo imenso. Estou pequena se vista do céu. Estou desatenta. Mas estou eu mesma.
Recordo-me dos livros de história e dos debates acadêmicos. Sou invadida por indagações gélidas que me cortam os dedos mas, ao lembrar teu nome, sou consumida por palpitações.
Fica-se as marcas. A cicatriz grande e profunda, mas pela qual tenho tanto carinho. Fica-se a minha mão estendida e, de volta, uma mão que me bate o rosto. Vai embora o meu sorriso, embora tenha-o cuidado com estima para ti. Todas as pequenas coisas que ocuparam tanto espaço - não porque eram pesadas, mas porque me eram queridas.
Vai-se, o que ficou.
Perco-me em suas não-curvas, em seu corpo magro, em suas pernas bonitas, como me inspira. Paro-me em seus olhos. Encaro-os profundamente até me perder e me encontrar outra vez.
O cheio forte. Os cabelos ao vento que me chamam a atenção. As palavras rudes - ou seria apenas características da língua? Os gestos pequenos, o bosque logo acima, as ruas vazias e a neve derretida.
Embaixo dos meus braços, carrego um caderno. Nele escrevo aventuras. Suspiros. Sentidos. Desejos. Nele revivo tudo o que vivi um dia. Nele, está a minha vida.
E os passos largos, com pisadas fortes, continua a caminhar. Vai para um local ao norte que eu não sei onde, e neste momento me perco sozinha no caminho. Fui deixada para trás e sinto-me como uma aluna desorientada diante da tese. Estou no vazio deste mundo imenso. Estou pequena se vista do céu. Estou desatenta. Mas estou eu mesma.
Recordo-me dos livros de história e dos debates acadêmicos. Sou invadida por indagações gélidas que me cortam os dedos mas, ao lembrar teu nome, sou consumida por palpitações.
Fica-se as marcas. A cicatriz grande e profunda, mas pela qual tenho tanto carinho. Fica-se a minha mão estendida e, de volta, uma mão que me bate o rosto. Vai embora o meu sorriso, embora tenha-o cuidado com estima para ti. Todas as pequenas coisas que ocuparam tanto espaço - não porque eram pesadas, mas porque me eram queridas.
Vai-se, o que ficou.
25 de mai. de 2014
A companhia das letras
A companhia das letras tem pintado os meus muros, sustentado o meu chão, sido o rumo do futuro, a porta sob um vão.
Nas letras, encontrei-me; encontrei o que escrevi a você; encontrei o meu encontro; encontrei a solidão. Porque as letras vem mas vão, elas não pertencem a mim, a ninguém. As letras são o senhor do mundo.
A companhia das letras tem pegado em minhas mãos. Tem guiado as pessoas sensíveis. Tem enganado os desatentos. A companhia das letras torna-se a coisa mais preciosa a cada segundo de vida que passa.
Algumas companhias são mais preciosas do que outras - isto eu sempre soube, sem nem precisar escolher. Tem-se, por exemplo, aquela letra sublime que pinta o meu entardecer com suas palavras pessoais que ecoam no vento frio. Aquela letra que me deixou tantas cartas. Aquela letra que escrevia diários desde tenra idade. Aquela letras que escreveu um romance que me inspirou a vida e me ajudar formar. Aquela letra que mudou a história. A sua companhia, que habita dentro de mim. Sabe de quem estou falando, não é mesmo?
A companhia das letras, de forma suave, deixa marcas por onde passou. Grampeia as veias da gente. Impede o sangue de jorrar. Passa rápido mas tem presença forte. Guia-nos para onde sequer sabemos que iremos.
A companhia das letras tem me habitado desde que vim para cá.
Nas letras, encontrei-me; encontrei o que escrevi a você; encontrei o meu encontro; encontrei a solidão. Porque as letras vem mas vão, elas não pertencem a mim, a ninguém. As letras são o senhor do mundo.
A companhia das letras tem pegado em minhas mãos. Tem guiado as pessoas sensíveis. Tem enganado os desatentos. A companhia das letras torna-se a coisa mais preciosa a cada segundo de vida que passa.
Algumas companhias são mais preciosas do que outras - isto eu sempre soube, sem nem precisar escolher. Tem-se, por exemplo, aquela letra sublime que pinta o meu entardecer com suas palavras pessoais que ecoam no vento frio. Aquela letra que me deixou tantas cartas. Aquela letra que escrevia diários desde tenra idade. Aquela letras que escreveu um romance que me inspirou a vida e me ajudar formar. Aquela letra que mudou a história. A sua companhia, que habita dentro de mim. Sabe de quem estou falando, não é mesmo?
A companhia das letras, de forma suave, deixa marcas por onde passou. Grampeia as veias da gente. Impede o sangue de jorrar. Passa rápido mas tem presença forte. Guia-nos para onde sequer sabemos que iremos.
A companhia das letras tem me habitado desde que vim para cá.
22 de mai. de 2014
In my words, in my heart.
"The infinite feeling continue to be as infinite in words as it was in the heart" (Franz Kafka)
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