29 de abr. de 2011

pensamentos soltos

Incrivel como sua roupa de cama pode ser uma das suas melhores companhias;
Nada estimulada para umas coisas e bem estimulada para outras coisas que nao preciso dizer;
Longe do ceu;
Perto de tudo que eu nao queria estar;
Sobremesa nunca foi a minha praia;
Estive pensando muito;
Sera que a neve ja se foi mas deixou rastro de beleza, vulgo "frio", que jamais esbarrou nesse lugar do mundo denominado "aqui"?;
Sentimentos do mundo;
Querendo uma biblioteca para chamar de casa;
Um tesouro do filme A Lagoa Azul;
Poltrona xadrez;
Num lugar Punky Brewster;
Cade minha identidade nacional;
Pois entao.


19 de abr. de 2011

num minuto de vida

Ela hoje colocou todos os sapatos de lacinho e roupas serias de lado, como quem joga fora. Colocou posteres nas paredes do quarto e deu uma pincelada de cores azul, vermelha e branca na sala. Amarrou os cabelos compridos, e nao cuidou para que os esmaltes conservassem. Porque fica mais bonito eh quando comeca a sair, ela comecou a pensar outro dia ai, depois que ele falou com ela. E pegou todas as manias e colocou em malas, e trouxe junto a si. Porque manias pessoais, que nao fazem mal a nos e nem aos outros, a gente traz eh com a gente, pois elas fazem quem nos somos. E lembrou de um lugar e de outro e ate pensou que todos esses lugares pintaram a gravura que era a vida dela. Passou por canteiros floridos, sem notar muito. O lixo nos canteiros, que nao devia estar ali, ela notava. Ligou um radio, para voltar aos tempos antigos, porque algumas coisas nao mudam jamais e precisam ser preservadas. Piscou os olhos de um rimel que comprou pra ela com rosa importado pintado de verde, e de longe. Ligou a tv e usou sua critica. Leu uma revista e debochou. Chorou frente a injustica que viu e, mais uma vez, reclamou. Olhou os contatos num desses sites que fez para ela, para so manter e adicionar quem acrescenta. Limpou com as maos sua maquina de fotografar e pensou como essa expressao eh antiga. E ate pensou que esse lugar em que nasceu por acidente gracas a falta de atencao, ate foi mais bonito num passado longiquo onde existiam menos pessoas e mais gente. Lamentou. Sorriu por dentro num lugar de segredo que so ela sabe e guarda para ela. Porque esse lugar, essa alegria e esse sorriso, o Brasil nao toma dela.

10 de abr. de 2011

Escrever sobre falar nada

Estive sentindo falta - porque sentir saudades eh uma coisa que ninguem no mundo entende - das coisas bonitas. De arvores finas e calcadas limpas, cobertas de neve, com pegadas deixadas por mim, e por nos. Estive sentindo falta do detalhe da janela, da unica flor que sobreviveu ao frio e fica a enfeitar canteiro e a encantar gente, e da maquina de sorvete que fez meu dia mas depois me enjoou. Estive sentindo uma saudade apertadinha, e hoje gostozinha. E, confesso, sem ligar a minima: nao sei se gostozinha se escreve com "s" ou com "z". E dai, ne. Nada importa frente ao que importa.

E isso era so pra falar mesmo que estive sentindo saudade. Mas no momento estou evitando pensar e lembrar, o que, consequentemente, me evita sentir. A tal da saudade que ninguem entende, mas todo mundo sente.

E vamos levando que aqui no Brasil a vida nao eh bonita nao. Quase tudo e quase todos sao, eu diria, feios.

7 de abr. de 2011

santa inocencia

Acho que um dos problemas com as "people watchers" eh que, no decorrer do caminho, elas tem que se tornar "people thinkers", no sentido de ter que comecar a pensar o que os outros estariam pensando - e o que "geralmente" pensam - quando estavam fazendo o que estavam fazendo...

Num dia desses por ai, alias em muitos dias desses, pensaram o que eh que passa na cabeca de uma pessoa que acredita que nome estrangeiro diz alguma coisa. E desde quando "molho ingles" vem da Inglaterra.


Pois entao. Nao sei se eh inocencia ou ignorancia. Pra nao falar burrice. Gente burra existe, umas pra tudo, outras burras so para umas coisas...

4 de abr. de 2011

percepcoes guardadas

Estive pensando no que eh que eu escreveria, se tiraria de uma caixinha de emocao, ou do por do sol que vi na minha frente, ou da escada que desci, ou do lugar por onde passei e marcou. E ate pensei que a gente tem tanta coisa dentro da gente pra dizer e quem sabe escrever, e que se a gente nao faz, o mundo desvira poesia. E ate acho que essa eh uma palavra inventada, essa agora que eu usei. Mas nos meus pensamentos ela simplesmente existe, assim como existem outras tantas mais, que agora ate nao me lembro. Mas sei que existem, em algum lugar dentro de mim. Mas voltando em falar em palavras, e nesse negocio de deixar escritos os pensamentos e emocoes, penso ate em alguns motivos, motivos para os quais eu diria nao:

- primeiro que eu sou "queita" mesmo, vai ver eu ate sou mineira sem nunca ter sido dessa nacionalidade que me deram; segundo porque as vezes nem sem como escrever e tenho preguica; e terceiro porque as vezes quero guardar so pra mim, porque fica ate mais especial no meu ponto de vista. E tem ainda o motivo quarto, que eh que eu tenho medo de falar tudo o que eu penso sobre as coisas que vejo. Tenho mesmo. Penso coisas "mas", segundo o dicionario da lingua do povo.

14 de mar. de 2011

"dulce de leche"

Em contato com aquele lado meu que eh doce e simplista, num ato simples de nao reclamar. Num encontro com o meu eu que nao desconfia, nao questiona tanto, e sorri para estranhos na rua. Ao lado de uma menina que presta atencao nas pequenas coisas, nos detalhes, e nas casas. De mao dada com a personalidade de filha, da estudante colecionadora de papeis, da menina que cresceu antes de crescer. Procurando a inocencia e a ternura que restou em mim quando a vida me bateu. Salvando sorrisos e palavras doces para o "ele especial" com quem esbarrei nessa vida. Respondendo mensagens e emails, e quem sabe ate me arriscando a escrever uns por vontade propria. Pensando na possibilidade de dirigir sem correr. E olhar para arvores que para mim sempre foram ridiculas, mas com outro olhar - quem sabe o dele. Eu quero ver o mundo com os olhos mais bonitos, quem sabe de uma cor diferente desse meu castanho que nao vejo muita graca, e entender as coisas dentro de mim de um jeito meu que eh o da menina doce que permaneceu dentro de mim.

10 de mar. de 2011

Da escrita que me faz "eu"

Descobri o que sempre ja sabia de que so sou eu quando eu escrevo. E a partir de agora, em um momento que nao sei quando nem onde, comecarei a escrever, que eh para eu nao me perder - sem querer, no entanto, me achar.

E a raiva eu vou escrever em caderno, porque cadernos sao grandes e feios, e vou poder jogar fora quando o sentimento feio passar. E jornadas eu escreverei em papeis de carta, que sao delicados, importados, cheirosos e sao a minha colecao comecada por minha mae para mim quando eu era crianca. As alegrias escreverei em bloco de nota colorido, que eh pra soltar a folha e espalhar por ai, espalhar pelo ar, deixar contagiar. Alegria tem que ser dividida. E a saudade eu escreverei em um dos papeis mais bonitos que eu vou achar quando eu comecar a confecciona-lo para mim. E os medos eu escreverei em folhinha, nessas que as pessoas tambem chamam de calendario, porque medo passa, e tem dia para acabar. E os amores, esses eu escreverei em mim mesma, em local guardado para pessoas especiais.