(Cecília Meireles)
29 de fev. de 2016
27 de dez. de 2015
The state of a life
Lately:
"Science is, to me, useless drudgery for no purpose. A vague, superficial understanding of molecules and atoms isn't going to advance my understanding of life."
And, most of all,
"I hate formulas, I don't give a damn about valences, artificial atoms and molecules."
(Letters Home)
Hello, Life. Just saying. :/
"Science is, to me, useless drudgery for no purpose. A vague, superficial understanding of molecules and atoms isn't going to advance my understanding of life."
And, most of all,
"I hate formulas, I don't give a damn about valences, artificial atoms and molecules."
(Letters Home)
Hello, Life. Just saying. :/
26 de out. de 2015
Atrás do pensamento
Atrás do pensamento é como um lugar guardado. Um local que a gente montou e foi morar nele. Um local que sempre existiu sem que a gente se desse conta. Um lugar que guarda um pouquinho da alma da gente enquanto acontece o dia.
Atrás do pensamento é como o meu copo de leite. É um livro em capa de veludo verde escuro a la Wilde, cheio de rimas bonitas que me fazem revirar os olhos. É como o caminho que sempre pego, mas é também o caminho novo que me rejuvenesce o olhar.
Atrás do pensamento é aquele que nunca foi. É aquele que ficou aqui. Sou eu sendo a menina que fui e que sempre hei de ser, porque me transformei em eu mesma - a gente sempre acaba se esbarrando com a gente.
É quando fecho os olhos e espero para ver o que é que vem. Quando recosto a cabeça em um canto e me descanso dos pensamentos, que fogem até chegarem onde você está. É uma onda do mar que vai mas voltou. Volta sempre, toca sinos, estende-se em minha cama e tem preguiça em sair.
Atrás do pensamento mora a pessoa de quem fui mais próxima na vida, as aventuras que vivemos juntas e um caderno que escrevi cheio de significados, pois significava muito. As pessoas crescem e vão embora da gente, mas se deixam ficar. A distância física nunca será maior do que outras distâncias, e isso é um alívio frio e azul anil, mas funciona para o dia de hoje. Só por hoje, só por hoje...
Quando eu contar até três é porque já contei até cinco e já esperei passar. Eu perdi a conta dos números, eu nem olho mais as horas no relógio, eu estou sentada observando o momento agora mesmo.
Atrás do pensamento está eu e está você. Está tudo o que é junto, e muito, e leve, e sensível como uma louça antiga, e fugaz (eu nem sei o que é isto, mas esta palavra me veio agora e pediu para eu a escrever), e vivaz - porque rima -, e com gratidão e precisão e me embaralho toda em me perder nesta estratagema. Céus, quando é que eu vou parar com isso, com esta coisa de brincar com as as coisas escritas? Estou ficando gente grande e preciso aprender a usar as palavras - digo, desaprender. Vou ter que montar azulejos bem escritos, e o mais difícil de tudo: que façam sentido no final. Para isso tenho olhado muito para as fotos de Woolf e de Plath que tenho em minha parede, imaginando que só de olhar para uma coisa dessas a vida faria sentido e eu seria invadida por palavras bonitas, complacentes e cheias de sentido. Continuo olhando.
No momento, preciso pegar um trem e tecer o caminho. Preciso ficar muito tempo acordada e pouco tempo dormindo, e nem tempo para vagar e me distrair do mundo eu tenho. Mas a gente embarca e sobe a escada e se dá conta de que trata-se apenas de mais um vagão.
E, enquanto isso, espirro um jato de perfume em mim, pois o gosto do cheiro me inspira, e eu seguro a minha própria mão, que é o que tenho, e vou seguindo, sabendo que, no fundo e no raso e em tudo o que sou, mora o que está atrás do pensamento.
Atrás do pensamento é como o meu copo de leite. É um livro em capa de veludo verde escuro a la Wilde, cheio de rimas bonitas que me fazem revirar os olhos. É como o caminho que sempre pego, mas é também o caminho novo que me rejuvenesce o olhar.
Atrás do pensamento é aquele que nunca foi. É aquele que ficou aqui. Sou eu sendo a menina que fui e que sempre hei de ser, porque me transformei em eu mesma - a gente sempre acaba se esbarrando com a gente.
É quando fecho os olhos e espero para ver o que é que vem. Quando recosto a cabeça em um canto e me descanso dos pensamentos, que fogem até chegarem onde você está. É uma onda do mar que vai mas voltou. Volta sempre, toca sinos, estende-se em minha cama e tem preguiça em sair.
Atrás do pensamento mora a pessoa de quem fui mais próxima na vida, as aventuras que vivemos juntas e um caderno que escrevi cheio de significados, pois significava muito. As pessoas crescem e vão embora da gente, mas se deixam ficar. A distância física nunca será maior do que outras distâncias, e isso é um alívio frio e azul anil, mas funciona para o dia de hoje. Só por hoje, só por hoje...
Quando eu contar até três é porque já contei até cinco e já esperei passar. Eu perdi a conta dos números, eu nem olho mais as horas no relógio, eu estou sentada observando o momento agora mesmo.
Atrás do pensamento está eu e está você. Está tudo o que é junto, e muito, e leve, e sensível como uma louça antiga, e fugaz (eu nem sei o que é isto, mas esta palavra me veio agora e pediu para eu a escrever), e vivaz - porque rima -, e com gratidão e precisão e me embaralho toda em me perder nesta estratagema. Céus, quando é que eu vou parar com isso, com esta coisa de brincar com as as coisas escritas? Estou ficando gente grande e preciso aprender a usar as palavras - digo, desaprender. Vou ter que montar azulejos bem escritos, e o mais difícil de tudo: que façam sentido no final. Para isso tenho olhado muito para as fotos de Woolf e de Plath que tenho em minha parede, imaginando que só de olhar para uma coisa dessas a vida faria sentido e eu seria invadida por palavras bonitas, complacentes e cheias de sentido. Continuo olhando.
No momento, preciso pegar um trem e tecer o caminho. Preciso ficar muito tempo acordada e pouco tempo dormindo, e nem tempo para vagar e me distrair do mundo eu tenho. Mas a gente embarca e sobe a escada e se dá conta de que trata-se apenas de mais um vagão.
E, enquanto isso, espirro um jato de perfume em mim, pois o gosto do cheiro me inspira, e eu seguro a minha própria mão, que é o que tenho, e vou seguindo, sabendo que, no fundo e no raso e em tudo o que sou, mora o que está atrás do pensamento.
13 de out. de 2015
O céu que nos protege
O céu que nos protege parece uma mão que vem carregar a gente.
Faz dia e faz sol, faz noite e está nublado. Pensei até na palavra lisonjeiras agora, como se eu a tivesse inventado, pois não sei o que significa.
Ela é feita de ossos, ela tem sorriso de maçã. Ela aperta os olhos tão fechadinhos e coloca um leve sorriso no rosto como se fosse um papel de parede nos anos 50. Ela caminha a passos curtos e apressados para a aula em que se aprende; ela deixa o prédio e não sabe para onde foi. Ela faz a leitura de um livro para espantar os minutos das horas.
O céu que nos protege tem gosto do cheiro da lembrança que a gente mais gostou. Parece algo tão complicado, porque é muito simples para nosso entendimento. Uma vez eu prestei atenção em um passarinho, e isso eu quase não faço pois não tenho tempo. Eu penso que há tantos passarinhos que eles se tornaram coisa comum. Mas, um dia, eu prestei atenção em um passarinho e corri e escrevi uma coisa passageira para que ela permanecesse.
O céu que nos protege tem a cor de um lenço de cabelo. Eu diria azul escuro de bolinhas, mas eu nem sei que cor é esta, mas sei que ela está ali. A gente fala as coisas como se tivesse cantando a nossa música preferida. Sabe como? Assim: a gente canta, fala e repete; a gente sabe de cor. Toca no fundo da nossa mente, sem parar. Fica ali. Faz morada. Vive com a gente. Algumas vezes cantamos mais, outras menos. Algumas vezes nem cantamos, mas a música está ali pois ela vive com a gente dentro de um lugar nosso que ela escolheu habitar. Será que dá para escutar daí?
E, não importa o passo que a gente dá, uma nuvem que parece uma morada sempre acompanha a gente nos olhando de rabo de olho como a espiar para não atrapalhar nossos próprios movimentos: é o céu que nos protege.
Um dia em soprei algo que eu disse em seu ouvido, deixei o céu pegar a minha mão mas sem mudar quem sou. Deixa eu ser eu mesma, a pessoa que nasci. Pois todo mundo é cada um, e tudo parece tão turvo agora. Na verdade, esta não era a palavra que eu queria usar, mas eu estou perdendo muitas palavras ultimamente, e este e um processo que tem durado alguns anos. Por isso, vou cantar aquela música, na verdade eu tenho muitas músicas e, além disso, sou uma menina indecisa, e vou ler uma poesia porque, assim, vou falar eu mesma as coisas que outra pessoa escreveu, e então você verá que outra pessoa também já quis aquilo, e assim haverá muito mais argumento em minha parte. Sei: não estou fazendo sentido algum.
O céu que nos protege, por último, tem o semblante de uma mãe que se abstém de todo o egoísmo. Ele recorda uma avó velhinha cheia de sabedoria, esquecendo a parte limitada e atrasada, é claro. De vez em quando, ele até veste uma roupa, assim, meio como uma camisa social dobrada ate o meio do braço, pois esta é a maneira de se vestir para a vida, e veste também a coragem do tempo, a mansidão dos valores e o instinto de proteger. E, quando ele está quase virando esta pessoa toda por dentro, volta como uma mão a acariciar meu cabelo, pois não se pode perder a terna essência. Sejamos doces.
Neste momento, irei cantar todas as minhas músicas que sei de cor (mentira, não sei nenhuma. Eu só sei cantar pedaço de uma, pedaço de outra) e vou ficar repetindo as partes que gravei como se eu fosse um disco arranhado, e lhe entregarei nas mãos, com a preposição que eu bem desejar, quem sou.
E, enquanto o tempo passa, vamos seguindo - sob o céu que nos protege.
Faz dia e faz sol, faz noite e está nublado. Pensei até na palavra lisonjeiras agora, como se eu a tivesse inventado, pois não sei o que significa.
Ela é feita de ossos, ela tem sorriso de maçã. Ela aperta os olhos tão fechadinhos e coloca um leve sorriso no rosto como se fosse um papel de parede nos anos 50. Ela caminha a passos curtos e apressados para a aula em que se aprende; ela deixa o prédio e não sabe para onde foi. Ela faz a leitura de um livro para espantar os minutos das horas.
O céu que nos protege tem gosto do cheiro da lembrança que a gente mais gostou. Parece algo tão complicado, porque é muito simples para nosso entendimento. Uma vez eu prestei atenção em um passarinho, e isso eu quase não faço pois não tenho tempo. Eu penso que há tantos passarinhos que eles se tornaram coisa comum. Mas, um dia, eu prestei atenção em um passarinho e corri e escrevi uma coisa passageira para que ela permanecesse.
O céu que nos protege tem a cor de um lenço de cabelo. Eu diria azul escuro de bolinhas, mas eu nem sei que cor é esta, mas sei que ela está ali. A gente fala as coisas como se tivesse cantando a nossa música preferida. Sabe como? Assim: a gente canta, fala e repete; a gente sabe de cor. Toca no fundo da nossa mente, sem parar. Fica ali. Faz morada. Vive com a gente. Algumas vezes cantamos mais, outras menos. Algumas vezes nem cantamos, mas a música está ali pois ela vive com a gente dentro de um lugar nosso que ela escolheu habitar. Será que dá para escutar daí?
E, não importa o passo que a gente dá, uma nuvem que parece uma morada sempre acompanha a gente nos olhando de rabo de olho como a espiar para não atrapalhar nossos próprios movimentos: é o céu que nos protege.
Um dia em soprei algo que eu disse em seu ouvido, deixei o céu pegar a minha mão mas sem mudar quem sou. Deixa eu ser eu mesma, a pessoa que nasci. Pois todo mundo é cada um, e tudo parece tão turvo agora. Na verdade, esta não era a palavra que eu queria usar, mas eu estou perdendo muitas palavras ultimamente, e este e um processo que tem durado alguns anos. Por isso, vou cantar aquela música, na verdade eu tenho muitas músicas e, além disso, sou uma menina indecisa, e vou ler uma poesia porque, assim, vou falar eu mesma as coisas que outra pessoa escreveu, e então você verá que outra pessoa também já quis aquilo, e assim haverá muito mais argumento em minha parte. Sei: não estou fazendo sentido algum.
O céu que nos protege, por último, tem o semblante de uma mãe que se abstém de todo o egoísmo. Ele recorda uma avó velhinha cheia de sabedoria, esquecendo a parte limitada e atrasada, é claro. De vez em quando, ele até veste uma roupa, assim, meio como uma camisa social dobrada ate o meio do braço, pois esta é a maneira de se vestir para a vida, e veste também a coragem do tempo, a mansidão dos valores e o instinto de proteger. E, quando ele está quase virando esta pessoa toda por dentro, volta como uma mão a acariciar meu cabelo, pois não se pode perder a terna essência. Sejamos doces.
Neste momento, irei cantar todas as minhas músicas que sei de cor (mentira, não sei nenhuma. Eu só sei cantar pedaço de uma, pedaço de outra) e vou ficar repetindo as partes que gravei como se eu fosse um disco arranhado, e lhe entregarei nas mãos, com a preposição que eu bem desejar, quem sou.
E, enquanto o tempo passa, vamos seguindo - sob o céu que nos protege.
27 de set. de 2015
Domingo poderia ser sempre de dia
Ele custa a chegar. Ele chega, toca o sino e vem a tarde, e já vai perdendo a sua luz.
Domingo poderia ser sempre de dia. E eu me estenderia para gastar cada minuto de ti.
Pois, neste dia, as horas têm preguiça da vida, o estômago dorme sem fome e eu me encontro no que é meu. Domingo é a magia do tempo que o relógio não levou. Sou eu levantando cedo ou tarde - depende da minha vontade - e começando tudo do zero. Porque a sensação é que este dia é longo e é só meu, porque ele é de todos nós.
Domingo, as horas passam de dia, e, quando acaba, elas passam de tarde para só então a noite chegar. E a noite chega deitada, como que espreguiçada, tamanha a preguiça de deixar que o dia acabe.
Domingo poderia ser sempre de dia porque, no meu coração, ele demora a passar. Ele passa doído, porque não quer acabar. Domingo é apenas o último dia da semana, mas todo mundo o vê como se fosse o primeiro. Não é, não; domingo é o fim dos dias, é ele dizendo adeus, indo dormir, cheio de ternura e pouca vontade para o que não lhe convém.
Domingo parece um campo verde de futebol americano estendido - sabe como? Não, né? Nem eu sei, eu apenas meio que sei, mas ele é. Domingo parece um chá da tarde que tomo gelado, porque chá quente todo mundo já toma. Domingo se parece com folhas brancas mas escritas bagunçadas pelo chão. Ele se parece com os minutos em uma cidade pequena. Ele lembra abraço apertado como que não deixando ir, sabe como?
Domingo é o final de todos os dias. Mas é também o começo de todos os outros dias - volto a repetir.
Domingo já foi feio e sombrio, mas eu sempre vou na contra-mão e queixo-me se não sou eu mesma, então eu o pego para mim como um presente de embrulho, fito-o nos olhos e lhe digo: domingo, você é tão meu. E não vou deixar você ser de nenhuma maneira que não seja a minha. Pronto, domingo é agora o dia da semana que parece ser sempre de dia.
Ah, quantas coisas se pode fazer em um dia de domingo! E pode-se não fazer nada, que é também uma coisa muito boa de se fazer. Domingo, vem cá que eu lhe dou uma piscadela, puxo você para perto e vamos andando de mãos dadas - fica sempre comigo?
Eu quero viver todos os domingos da minha vida porque mesmo quando a vida acaba os domingos hão de existir. Ele parece um deus nórdico bravo, mas ele pode ser terno como uma folha de outono a cair em meus cílios. Ele é do jeito que você o trata, todo assim, cheio de personalidade. Os dias da semana são, afinal, como gente. Que coisa estranha.
Não vou me estender mais porque hoje é domingo, e cada minuto que passa é a tarde indo embora e eu não queria que este dia acabasse nunca, pois neste dia faço tudo o que eu quiser e apenas o que eu quiser e até nada que eu quiser se eu não quiser fazer nada.
Não vá embora não, Domingo. Se estenda mais um pouquinho, faça seu caminho, segura a minha mão. E então me guia para o dia seguinte, para a semana seguinte, para o ano seguinte, para a vida dos meus dias.
Domingo poderia ser sempre de dia. E eu me estenderia para gastar cada minuto de ti.
Pois, neste dia, as horas têm preguiça da vida, o estômago dorme sem fome e eu me encontro no que é meu. Domingo é a magia do tempo que o relógio não levou. Sou eu levantando cedo ou tarde - depende da minha vontade - e começando tudo do zero. Porque a sensação é que este dia é longo e é só meu, porque ele é de todos nós.
Domingo, as horas passam de dia, e, quando acaba, elas passam de tarde para só então a noite chegar. E a noite chega deitada, como que espreguiçada, tamanha a preguiça de deixar que o dia acabe.
Domingo poderia ser sempre de dia porque, no meu coração, ele demora a passar. Ele passa doído, porque não quer acabar. Domingo é apenas o último dia da semana, mas todo mundo o vê como se fosse o primeiro. Não é, não; domingo é o fim dos dias, é ele dizendo adeus, indo dormir, cheio de ternura e pouca vontade para o que não lhe convém.
Domingo parece um campo verde de futebol americano estendido - sabe como? Não, né? Nem eu sei, eu apenas meio que sei, mas ele é. Domingo parece um chá da tarde que tomo gelado, porque chá quente todo mundo já toma. Domingo se parece com folhas brancas mas escritas bagunçadas pelo chão. Ele se parece com os minutos em uma cidade pequena. Ele lembra abraço apertado como que não deixando ir, sabe como?
Domingo é o final de todos os dias. Mas é também o começo de todos os outros dias - volto a repetir.
Domingo já foi feio e sombrio, mas eu sempre vou na contra-mão e queixo-me se não sou eu mesma, então eu o pego para mim como um presente de embrulho, fito-o nos olhos e lhe digo: domingo, você é tão meu. E não vou deixar você ser de nenhuma maneira que não seja a minha. Pronto, domingo é agora o dia da semana que parece ser sempre de dia.
Ah, quantas coisas se pode fazer em um dia de domingo! E pode-se não fazer nada, que é também uma coisa muito boa de se fazer. Domingo, vem cá que eu lhe dou uma piscadela, puxo você para perto e vamos andando de mãos dadas - fica sempre comigo?
Eu quero viver todos os domingos da minha vida porque mesmo quando a vida acaba os domingos hão de existir. Ele parece um deus nórdico bravo, mas ele pode ser terno como uma folha de outono a cair em meus cílios. Ele é do jeito que você o trata, todo assim, cheio de personalidade. Os dias da semana são, afinal, como gente. Que coisa estranha.
Não vou me estender mais porque hoje é domingo, e cada minuto que passa é a tarde indo embora e eu não queria que este dia acabasse nunca, pois neste dia faço tudo o que eu quiser e apenas o que eu quiser e até nada que eu quiser se eu não quiser fazer nada.
Não vá embora não, Domingo. Se estenda mais um pouquinho, faça seu caminho, segura a minha mão. E então me guia para o dia seguinte, para a semana seguinte, para o ano seguinte, para a vida dos meus dias.
23 de set. de 2015
Quantas estrelas custa?
Quanto será mesmo o preço disto? E daquilo? E de ir?
Me diz quantas estrelas custa isso, e lhe dou meu livre-arbítrio e malas cheias de roupas e bugigangas e uma vida cheia de histórias.
Fecho a cortina, começo tudo de novo. Levanto da cama em um dia comum que nasce de novo depois o sol se põe e terminou seu processo. Nem piscar eu pisco, e lhe dou a minha palavra como escrita em papel.
Quantas estrelas custa? Me diz porque eu quero muito saber. E vou levar um cantinho comigo, e vou deixar o vento passar e ir. Pergunto o preço porque quero ir junto, e sei que a rua não tem saída. E acho que nem dou a mínima. Quero mesmo ir.
Conto os dedos da minha mão, escrevo em uma folha rabiscada que achei por aí, retiro o cabelo do meu rosto e penso nas coisas materiais que compõem a vida de uma pessoa. Me diz - quantas estrelas custa? - e eu vou viver uma vida toda de renda como se fosse uma obra de arte feita por minha avó, e lhe mostro todos os meus dedos abertos porque entre eles não guardo nada, e não levo nada comigo. Doarei os meus poemas preferidos que habitam dentro dos livros no meu quarto - há sempre alguém que ainda nãos os leu. Sim, abro mão de todos eles se você me disser quantas estrelas custa.
Quantas estrelas custa e haveria apenas um preço. E eu sei que haveria dinheiro no mundo para pagar um sonho tão meu, mas o que me falta é a mão no caminho, mas sigo o rio e sou quem sou. A essência nada muda, o que muda são as estações do ano e a cor das folhas nas arvores, e eu acompanho tudo de longe. E eu presto atenção em tudo isso com um coração contido e doído e pergunto novamente: quantas estrelas custa?
Me fala o preço porque para o desejo não há o que se pagar - quantas estrelas custa?
Me diz quantas estrelas custa isso, e lhe dou meu livre-arbítrio e malas cheias de roupas e bugigangas e uma vida cheia de histórias.
Fecho a cortina, começo tudo de novo. Levanto da cama em um dia comum que nasce de novo depois o sol se põe e terminou seu processo. Nem piscar eu pisco, e lhe dou a minha palavra como escrita em papel.
Quantas estrelas custa? Me diz porque eu quero muito saber. E vou levar um cantinho comigo, e vou deixar o vento passar e ir. Pergunto o preço porque quero ir junto, e sei que a rua não tem saída. E acho que nem dou a mínima. Quero mesmo ir.
Conto os dedos da minha mão, escrevo em uma folha rabiscada que achei por aí, retiro o cabelo do meu rosto e penso nas coisas materiais que compõem a vida de uma pessoa. Me diz - quantas estrelas custa? - e eu vou viver uma vida toda de renda como se fosse uma obra de arte feita por minha avó, e lhe mostro todos os meus dedos abertos porque entre eles não guardo nada, e não levo nada comigo. Doarei os meus poemas preferidos que habitam dentro dos livros no meu quarto - há sempre alguém que ainda nãos os leu. Sim, abro mão de todos eles se você me disser quantas estrelas custa.
Quantas estrelas custa e haveria apenas um preço. E eu sei que haveria dinheiro no mundo para pagar um sonho tão meu, mas o que me falta é a mão no caminho, mas sigo o rio e sou quem sou. A essência nada muda, o que muda são as estações do ano e a cor das folhas nas arvores, e eu acompanho tudo de longe. E eu presto atenção em tudo isso com um coração contido e doído e pergunto novamente: quantas estrelas custa?
Me fala o preço porque para o desejo não há o que se pagar - quantas estrelas custa?
9 de set. de 2015
Sob o peso da história
Sob o peso da história, e eu estaria mais leve.
Eu até jogaria meus cabelos ao vento, eu, com cara emburrada mas coração tão terno. Eu falaria baixinho um monte de repetições insensatas como se fossem criptografias. E seguiria meu caminho.
Sob o peso da história, e eu estaria mais leve. E seria mais eu. E piscaria meus olhos escuros sem parar. E ainda ousaria soltar uma gargalhada contida, pois não sou fã de barulhos demais. Seria uma celebração singela e as cores em branco representariam a vitória dos aliados. E estaríamos livres e sem o peso da história.
E neste momento eu não estaria falando mais do que de mim mesma. Então, pegue as anotações e lembre-se: falo do peso da história que alguns trazem consigo e, por isso, esqueça países. Falo de pessoas, falo de sentimentos e problemas, falo do que não quero viver, falo de um bebê chorando, falo de uma criança pirracenta e de um idoso segurando flores ao atravessar a rua, falo de um senhor mal humorado e paro para pensar se mau se escreve com "u" ou com "l" e, como sei que é com os dois - ah, como sinto o peso da história neste momento! - desmancho-me em pedaços de mim e sigo o vento disfarçado de brisa. Mas eu não me engano.
Um dia eu lhe disse que o caminho era duro. Não havia tanques de guerra nem trovões, mas era duro. Não havia rajadas de vento e nem cortinas as minhas janelas tinham, mas havia um peso, e um sobrepeso, e havia eu tão pequenininha. Pai, você está aí? Olhe aqui para mim deste lado, abre a porta pois a fechadura é pesada, puxa uma cadeira e se assenta para ouvir a estória que eu vou contar. Pai, você poderia? Você faria isto por mim?
Mas, neste momento, saí correndo.
E não se engane: não me refiro aqui aos noticiários e nem ao zum-zum-zum de comentários da imprensa internacional. Também apaguei as linhas dos mapas com minha borracha de escola e eu nem me lembro do dia. Mas eu gostaria muito de conversar sobre o assunto dos últimos tempos com você. Não estou fazendo julgamentos sobre a história vivida e nem sobre a história construída. Não estou colocando a culpa nas potências e nem redimindo os oprimidos.
Estou apenas carregando em mim e comigo o peso da história ...
E como pesa!
Eu até jogaria meus cabelos ao vento, eu, com cara emburrada mas coração tão terno. Eu falaria baixinho um monte de repetições insensatas como se fossem criptografias. E seguiria meu caminho.
Sob o peso da história, e eu estaria mais leve. E seria mais eu. E piscaria meus olhos escuros sem parar. E ainda ousaria soltar uma gargalhada contida, pois não sou fã de barulhos demais. Seria uma celebração singela e as cores em branco representariam a vitória dos aliados. E estaríamos livres e sem o peso da história.
E neste momento eu não estaria falando mais do que de mim mesma. Então, pegue as anotações e lembre-se: falo do peso da história que alguns trazem consigo e, por isso, esqueça países. Falo de pessoas, falo de sentimentos e problemas, falo do que não quero viver, falo de um bebê chorando, falo de uma criança pirracenta e de um idoso segurando flores ao atravessar a rua, falo de um senhor mal humorado e paro para pensar se mau se escreve com "u" ou com "l" e, como sei que é com os dois - ah, como sinto o peso da história neste momento! - desmancho-me em pedaços de mim e sigo o vento disfarçado de brisa. Mas eu não me engano.
Um dia eu lhe disse que o caminho era duro. Não havia tanques de guerra nem trovões, mas era duro. Não havia rajadas de vento e nem cortinas as minhas janelas tinham, mas havia um peso, e um sobrepeso, e havia eu tão pequenininha. Pai, você está aí? Olhe aqui para mim deste lado, abre a porta pois a fechadura é pesada, puxa uma cadeira e se assenta para ouvir a estória que eu vou contar. Pai, você poderia? Você faria isto por mim?
Mas, neste momento, saí correndo.
E não se engane: não me refiro aqui aos noticiários e nem ao zum-zum-zum de comentários da imprensa internacional. Também apaguei as linhas dos mapas com minha borracha de escola e eu nem me lembro do dia. Mas eu gostaria muito de conversar sobre o assunto dos últimos tempos com você. Não estou fazendo julgamentos sobre a história vivida e nem sobre a história construída. Não estou colocando a culpa nas potências e nem redimindo os oprimidos.
Estou apenas carregando em mim e comigo o peso da história ...
E como pesa!
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