A vida ao redor acontece como nos campos em que vemos uma toalha de piquenique xadrez vermelha. Ou vermelha xadrez. Parece cinema alemão.
As cartas são sempre escritas com um coração todo inspirado e percorre os quatro cantos do mundo na velocidade do vento. As portas na cor marrom são sempre as mais antigas e os vidros da lanchonete são sempre pintados com decoração de natal pelos melhores alunos do colégio. Eu frequentava a aula de artes.
A vida ao redor ecoa profunda, como em um aquário que mantenho no quarto, mas que nunca existiu. Eu sempre achei aquários nojentos e sempre tive muita dó dos peixes, embora soubesse que muitos estariam em pior condição. Mas isso não isentaria a minha culpa.
A vida ao redor parece bolsa de mulher, sem querer ser sexista. Tem um jeito parecido com os degraus que desço para evitar o elevador. Pois eu sempre pensei que pudesse encontrar surpresas pelas escadas, como um casal de namorados, sabe?
A vida ao redor é calma como um chá que a gente toma de tarde. Como o começo da noite - ou cair do dia - no início do outono: extremamente doce! Tem a arquitetura vitoriana de uma biblioteca em que me refugio. Chama pelo meu nome e me dá coragem de vir para fora.
A vida ao redor, como todos já sabem, tem a cor azul marinho e é escrita com minha letra que escrevi com minhas mãos. De verdade. Soa como um poema que não li em pé la na frente da sala pois sou muito tímida. Cheira como a chuva que fecha o dia com chave de ouro - existe nisso maior perfeição?
A vida ao redor a gente percorre de bicicleta e com um carinho todo especial. Ou com meu carro que que tem um D - de Detroit - na traseira e diz para todo mundo que ele é meu-tão-meu. Ou com os patins que aposentei na adolescência pois comecei muito nova contra a vontade de minha mãe. A vida ao redor corre tão depressa e escapa como água no canto do passeio: e eu nem sei para onde vai.
Todos os pensamentos são ditos e entendidos e desvendados. Não há espaço para pausas ou dúvidas ou certezas. Vive-se um dia de cada vez. Há tempo de se parar na padaria da esquina para comer um bolo seco cheio de tédio. Abraça-se as aventuras com que trombamos na esquina. Dá-se a mão. Conversa-se ate com estranhos! Há espaço para tanta gente.
A vida ao redor tem gosto de infância. Aliás, a vida ao redor tem gosto da fase mais gostosa da vida da gente. Somos nós que escolhemos, com refrão e tudo. Como em uma orquestra, a música pode ser tocada mais de uma vez. Ah!, e dou um suspiro tão forte.
A vida ao redor vai se formando enquanto escrevo estas palavras, que saem de mim sem muita hesitação. Escrevo, apenas. Mas eu juro que é tudo verdade em algum momento de alguma forma. Enquanto isso, há uma criança rindo a poucos metros. Quanta inocência e falta de preocupação ao redor.
E as árvores, todas em tom verde escuro e muito altas, fazem sombra para que possamos caminhar melhor. Elas escondem todas as rachaduras e com isso vamos vivendo. Os edifícios vazios são abraçados porque são cheios de história e a memória vive no coração. Não há mais tristeza ou saudade porque tudo que a gente viveu agora vive com a gente. O mundo é um só, e roda para todos. Será que podemos viver mais de uma vez? ... é que a gente vive tantas vezes em uma só vida, não é mesmo?
A vida ao redor chegou despercebida, tímida e calada, mas cheia de personalidade. Ela veio como ela é e só é fragil porque foi sempre, no fundo, muito forte. Ao se cansar, senta-se com os pés para cima. Ou então sai de cena para um canto com o livro na não e vai ler. Foge da mocidade porque se é sempre jovem um pouquinho. Repara bem naquela janela, ela conta a história de um povo.
A vida ao redor em que vivo, a vida ao redor de quem sou.
11 de mai. de 2015
24 de abr. de 2015
Passagem para a vida
Procura-se.
Procura-se uma passagem que se compre e te leve para a vida, ou a passagem pela qual se passa para chegar a tal destino.
Procura-se como quem colhe aquelas flores delicadas e brancas, as quais nunca soube o nome. E com uns olhos de leão valente, como um peixinho que sou.
Passagem para a vida é como uma mochila que se carrega nas costas. Uma mochila pesada, mas não pelas coisas que carregamos mas pelas coisas que nos carregam. Nos empurra. Nos levanta. Nos impulsiona. Nos carrega, verdadeiramente, nos braços. Ou nas costas. Até nos ombros!
Passagem para vida, e um copo de chocolate quente que lhe queimou a língua porque assim será com você todas as vezes em sua vida em que comprar um chocolate quente para beber. Não se consegue esperar e tem-se sempre a esperança de que já se pode experimentar. Como se fôssemos todos adultos mais que crescidos: fortes.
Passagem para a vida é aquele lugar só seu sem sentido algum mas que tem todo o significado por representar algo grandioso. São as gotas de chuva na janela e o vento batendo. O latido do cão ao lado que não lhe incomoda tanto porque lhe transborda amor. Uma planta verde no canto que chamamos de mato, porque tudo é mato e planta quando não se sabe o nome. E quando é que se sabe nome?
Passagem para a vida é você com todas aquelas inúmeras folhas cheias de anotações sobre o genocídio na Armênia. Você não se aguentando de ansiedade porque quer discutir o tema com aquela sua amiga da Macedônia, porque acredita-se que todo mundo que venha dos balcãs seja carregado de história. A passagem se parece como uma preparação em uma tarde durante a semana, porque o maior compromisso é consigo mesma. Um beijo jogado de longe. Seu cheiro tao característico que será sempre e apenas seu, a não ser que você permita que alguém chegue próximo o suficiente para senti-lo.
Passagem para a vida sou eu e todos os meus dizeres. Muitos não ditos, tantos escritos. Sou eu com o poder de voz que me é dado, como se eu tivesse a chance de falar tudo o que penso e acho e acredito e desconfio, e sair correndo. Abrir mão de um futuro logo aqui no presente. Respirar tão profundamente que se sente o sintoma do mundo. Eu sempre estou a fazer diagnósticos, acho-me uma psicanalista muito aprofundada e fajuta, porque me formei basicamente em seriados de tv, um semestre de psicologia e livro. E, claro, todas as minhas questões teóricas que, no ar, ganham uma tonalidade roxa. Ah, como eu sou vasta e o mundo é ambíguo.
Passagem para a vida é aquele trem que a gente pega, e aquele que a gente perde, e o outro que pegamos no lugar de nenhum dos dois. Embarca-se, porque sabe-se que chegaremos em algum lugar. Apenas não se sabe onde. Quem cai, do chão não passa, e a Terra no fim é redonda. O pior já aconteceu, ou teme-se os próximos capítulos? Vida, seremos amigas de infância e eu lhe comprarei um sorvete.
A passagem para a vida inclui a mim em uma estrada verde. A cor, neste sentido, não é simbólica, mas apenas uma cor que me veio na cabeça mesmo. Eu fecho os olhos para ver e então escuto a minha respiração - eu, que estive tão ocupada. Os olhos dos vilarejos estão todos sobre você, porque espera-se tanto de uma menina pequena! Oh deuses, o que se faz quando a gente cresce e vira pessoa adulta? Ganha um certificado ou perde-se um sapato ou outro?
Passagem para a vida e uma menina e seus utensílios. Ela guardava tudo como se sobrevivesse a um regime que lhe obrigasse a dividir tudo e não ter nada e despir-se de sua personalidade. Eu lhe confesso que nem sei o nome deste regime político, pois escutei muito os sermões de minha irmã e vi uns filmes de cineastas do leste. E eles não são a mesma coisa. Diz-se que o livro do grande teórico marxista era teoria, e que a prática foi outra. Mas o que eu digo é que o que aconteceu é tudo o que temos.
Passagem para a vida e eu me acordo como num interior de sábado, porque agora não é nem de dia nem de manha nem de tarde e nem hora alguma. Agora um minuto só meu no meio da noite que já quase entra para a madrugada, onde se ganha vida pois todos dormem e, assim, vive-se mais verdadeiramente. Estou escrevendo este negócio porque estou repleta de informações que não são minhas e eu queria mesmo era cuidar apenas dos meus interesses e que tudo mais se explodisse como um vulcão que dorme. Pois cuido do mundo e esqueço o que é meu, e no meio do caminho perco parte daquela pessoa em que me transformei, como se tudo estivesse acabado. E, assim, sabe-se que as regras e os cubos são simpáticos ao caos, e uma linha reta é sempre mais direta e o caminho certo.
Agora, neste momento, confesso ainda que não sei de nada, pois escrevi tudo, o que se escreve só faz sentido em um outro dia, e eu só sei que é assim. Enquanto isso, prepara-se pois a gente veste a roupa que está ao nosso alcance no armário, de preferência na cor azul marinho, e assume o papel que nos foi dado porque a curva é logo ali e chega logo.
Avista-se a passagem para a vida e esta não se pode deixar passar.
Procura-se uma passagem que se compre e te leve para a vida, ou a passagem pela qual se passa para chegar a tal destino.
Procura-se como quem colhe aquelas flores delicadas e brancas, as quais nunca soube o nome. E com uns olhos de leão valente, como um peixinho que sou.
Passagem para a vida é como uma mochila que se carrega nas costas. Uma mochila pesada, mas não pelas coisas que carregamos mas pelas coisas que nos carregam. Nos empurra. Nos levanta. Nos impulsiona. Nos carrega, verdadeiramente, nos braços. Ou nas costas. Até nos ombros!
Passagem para vida, e um copo de chocolate quente que lhe queimou a língua porque assim será com você todas as vezes em sua vida em que comprar um chocolate quente para beber. Não se consegue esperar e tem-se sempre a esperança de que já se pode experimentar. Como se fôssemos todos adultos mais que crescidos: fortes.
Passagem para a vida é aquele lugar só seu sem sentido algum mas que tem todo o significado por representar algo grandioso. São as gotas de chuva na janela e o vento batendo. O latido do cão ao lado que não lhe incomoda tanto porque lhe transborda amor. Uma planta verde no canto que chamamos de mato, porque tudo é mato e planta quando não se sabe o nome. E quando é que se sabe nome?
Passagem para a vida é você com todas aquelas inúmeras folhas cheias de anotações sobre o genocídio na Armênia. Você não se aguentando de ansiedade porque quer discutir o tema com aquela sua amiga da Macedônia, porque acredita-se que todo mundo que venha dos balcãs seja carregado de história. A passagem se parece como uma preparação em uma tarde durante a semana, porque o maior compromisso é consigo mesma. Um beijo jogado de longe. Seu cheiro tao característico que será sempre e apenas seu, a não ser que você permita que alguém chegue próximo o suficiente para senti-lo.
Passagem para a vida sou eu e todos os meus dizeres. Muitos não ditos, tantos escritos. Sou eu com o poder de voz que me é dado, como se eu tivesse a chance de falar tudo o que penso e acho e acredito e desconfio, e sair correndo. Abrir mão de um futuro logo aqui no presente. Respirar tão profundamente que se sente o sintoma do mundo. Eu sempre estou a fazer diagnósticos, acho-me uma psicanalista muito aprofundada e fajuta, porque me formei basicamente em seriados de tv, um semestre de psicologia e livro. E, claro, todas as minhas questões teóricas que, no ar, ganham uma tonalidade roxa. Ah, como eu sou vasta e o mundo é ambíguo.
Passagem para a vida é aquele trem que a gente pega, e aquele que a gente perde, e o outro que pegamos no lugar de nenhum dos dois. Embarca-se, porque sabe-se que chegaremos em algum lugar. Apenas não se sabe onde. Quem cai, do chão não passa, e a Terra no fim é redonda. O pior já aconteceu, ou teme-se os próximos capítulos? Vida, seremos amigas de infância e eu lhe comprarei um sorvete.
A passagem para a vida inclui a mim em uma estrada verde. A cor, neste sentido, não é simbólica, mas apenas uma cor que me veio na cabeça mesmo. Eu fecho os olhos para ver e então escuto a minha respiração - eu, que estive tão ocupada. Os olhos dos vilarejos estão todos sobre você, porque espera-se tanto de uma menina pequena! Oh deuses, o que se faz quando a gente cresce e vira pessoa adulta? Ganha um certificado ou perde-se um sapato ou outro?
Passagem para a vida e uma menina e seus utensílios. Ela guardava tudo como se sobrevivesse a um regime que lhe obrigasse a dividir tudo e não ter nada e despir-se de sua personalidade. Eu lhe confesso que nem sei o nome deste regime político, pois escutei muito os sermões de minha irmã e vi uns filmes de cineastas do leste. E eles não são a mesma coisa. Diz-se que o livro do grande teórico marxista era teoria, e que a prática foi outra. Mas o que eu digo é que o que aconteceu é tudo o que temos.
Passagem para a vida e eu me acordo como num interior de sábado, porque agora não é nem de dia nem de manha nem de tarde e nem hora alguma. Agora um minuto só meu no meio da noite que já quase entra para a madrugada, onde se ganha vida pois todos dormem e, assim, vive-se mais verdadeiramente. Estou escrevendo este negócio porque estou repleta de informações que não são minhas e eu queria mesmo era cuidar apenas dos meus interesses e que tudo mais se explodisse como um vulcão que dorme. Pois cuido do mundo e esqueço o que é meu, e no meio do caminho perco parte daquela pessoa em que me transformei, como se tudo estivesse acabado. E, assim, sabe-se que as regras e os cubos são simpáticos ao caos, e uma linha reta é sempre mais direta e o caminho certo.
Agora, neste momento, confesso ainda que não sei de nada, pois escrevi tudo, o que se escreve só faz sentido em um outro dia, e eu só sei que é assim. Enquanto isso, prepara-se pois a gente veste a roupa que está ao nosso alcance no armário, de preferência na cor azul marinho, e assume o papel que nos foi dado porque a curva é logo ali e chega logo.
Avista-se a passagem para a vida e esta não se pode deixar passar.
20 de abr. de 2015
Todas as manhãs do mundo
O mundo começa com todas as manhãs. Todas as manhãs do mundo. E até as noites viram manhãs, que se tornaram noites.
O dia de cada um deveria começar como todas as manhãs do mundo: de um azul escancarado no céu. E que pudesse ficar cinza ao passar das horas, pois não me importo nem um pouquinho com esta coisa de céu nublado - pelo contrário, gosto e muito.
E que o sol fosse apenas um reflexo para dizer que existe. Está ali, mas bem longe. Pois machuca a minha pele e faz-me apertar os olhos, cerrando-os para proteger minhas vistas que são meus olhares e guardo para a leitura.
O mundo deveria ser formado por todas as manhãs do mundo. Porque são estas manhãs as chances da gente. São como se viessem e estendessem a mão. Como um braço que não se vê, não se sabe onde começa ou termina. Como um sopro de suspiro de acontecimentos surpreendentes e até mágicos - magia em seu sentido antropológico, quero dizer.
A vida de todo mundo deveria ser todas as manhãs do mundo. Onde só haveriam bilhetes de ternura pelos cantos e memórias transbordando o coração vazio. Todas as manhãs do mundo são como uma imensa janela aberta, são como as aulas de cinema que cursei durante 3 semestres na faculdade, são como as anotações espalhadas por folhas por aí, são como esperar por um ônibus que nunca chega porque se tem a sensação doce de espera, são como olhar apenas para observar, mas, no fundo, ver.
Todas as manhãs do mundo. E não seria suficiente para os dias da vida, que são formados por segundos e minutos, mas só são significativos pelas lembranças que se viveu. Um chá quente em uma tarde não tão fria em um país em que nada se entende da língua. Claro, era tão leste este negócio, onde fui me aventurar? Será que sou assim e ou simplesmente fui? Serei de novo?
Todas as manhãs do mundo deveriam se reunir para louvar a existência, que passa breve como uma folha que só dura até o outono. E valorizaríamos as coisas mais insignificantes pois estas, para mim, são as mais importantes. E eu faria da minha vida todas as manhãs do mundo, porque viveria a meu jeito e a meu ver. Com meu muito e pouco entendimento, minha ignorância e pré-pensamentos e, principalmente, a minha vontade de conhecer. Pois conhecer vem de conhecimento, e neste eu me invisto muito.
Minhas todas manhãs do mundo seriam como eu parada em uma rodovia, contando os carros que passam como se isso valesse alguma coisa. Na verdade, este era só parte do caminho. Preciso continuar a trilha, caminhando assim vou. Porque todas as manhãs do mundo são contadas em um ponteiro de relógio enquanto vejo o filme A Noviça Rebelde pela milésima vez, a pedido, primeiramente, da minha tão querida, culta e cuidadosa mãe.
Todas as manhãs do mundo seriam minhas, porque só eu as sei fazer assim, e sei viver e principalmente esquecer, e muitas vezes fico perdida ao começar de novo. E nestas horas somos como a lenda, e a gente nem sequer existiu neste sopro de vida que chamamos "existência".
Todas as manhãs do mundo para mim. E para você e para cada uma das pessoas que habitam a Terra, sejam elas do meu agrado ou não, porque na verdade sempre me interesse apenas pelas pessoas charmosas e, quanto ao resto, não os considero maus - apenas não os considero charmosos e por isso não me são atraentes. Não tenho tempo a perder, pois me sou muito preciosa já que não durarei para sempre. Enquanto isso, corro para pegá-la e vivê-la: a manhã do mundo.
O dia de cada um deveria começar como todas as manhãs do mundo: de um azul escancarado no céu. E que pudesse ficar cinza ao passar das horas, pois não me importo nem um pouquinho com esta coisa de céu nublado - pelo contrário, gosto e muito.
E que o sol fosse apenas um reflexo para dizer que existe. Está ali, mas bem longe. Pois machuca a minha pele e faz-me apertar os olhos, cerrando-os para proteger minhas vistas que são meus olhares e guardo para a leitura.
O mundo deveria ser formado por todas as manhãs do mundo. Porque são estas manhãs as chances da gente. São como se viessem e estendessem a mão. Como um braço que não se vê, não se sabe onde começa ou termina. Como um sopro de suspiro de acontecimentos surpreendentes e até mágicos - magia em seu sentido antropológico, quero dizer.
A vida de todo mundo deveria ser todas as manhãs do mundo. Onde só haveriam bilhetes de ternura pelos cantos e memórias transbordando o coração vazio. Todas as manhãs do mundo são como uma imensa janela aberta, são como as aulas de cinema que cursei durante 3 semestres na faculdade, são como as anotações espalhadas por folhas por aí, são como esperar por um ônibus que nunca chega porque se tem a sensação doce de espera, são como olhar apenas para observar, mas, no fundo, ver.
Todas as manhãs do mundo. E não seria suficiente para os dias da vida, que são formados por segundos e minutos, mas só são significativos pelas lembranças que se viveu. Um chá quente em uma tarde não tão fria em um país em que nada se entende da língua. Claro, era tão leste este negócio, onde fui me aventurar? Será que sou assim e ou simplesmente fui? Serei de novo?
Todas as manhãs do mundo deveriam se reunir para louvar a existência, que passa breve como uma folha que só dura até o outono. E valorizaríamos as coisas mais insignificantes pois estas, para mim, são as mais importantes. E eu faria da minha vida todas as manhãs do mundo, porque viveria a meu jeito e a meu ver. Com meu muito e pouco entendimento, minha ignorância e pré-pensamentos e, principalmente, a minha vontade de conhecer. Pois conhecer vem de conhecimento, e neste eu me invisto muito.
Minhas todas manhãs do mundo seriam como eu parada em uma rodovia, contando os carros que passam como se isso valesse alguma coisa. Na verdade, este era só parte do caminho. Preciso continuar a trilha, caminhando assim vou. Porque todas as manhãs do mundo são contadas em um ponteiro de relógio enquanto vejo o filme A Noviça Rebelde pela milésima vez, a pedido, primeiramente, da minha tão querida, culta e cuidadosa mãe.
Todas as manhãs do mundo seriam minhas, porque só eu as sei fazer assim, e sei viver e principalmente esquecer, e muitas vezes fico perdida ao começar de novo. E nestas horas somos como a lenda, e a gente nem sequer existiu neste sopro de vida que chamamos "existência".
Todas as manhãs do mundo para mim. E para você e para cada uma das pessoas que habitam a Terra, sejam elas do meu agrado ou não, porque na verdade sempre me interesse apenas pelas pessoas charmosas e, quanto ao resto, não os considero maus - apenas não os considero charmosos e por isso não me são atraentes. Não tenho tempo a perder, pois me sou muito preciosa já que não durarei para sempre. Enquanto isso, corro para pegá-la e vivê-la: a manhã do mundo.
19 de abr. de 2015
O sopro do coração
O sopro do coração segue sua própria intuição e vive sua própria história.
O sopro do coração é leve como os ventos do sul que levam para o norte. Mora ao lado do número 2. Se parece com um papel de presente. Reside em uma caixinha no canto do armário. Olha pela janela de forma tímida. Alegra-se com as folhas secas que caem das árvores e avisam da renovação que se dará em breve.
O sopro do coração percorre as estradas que levam para longe. Não há importância alguma se há casas abandonadas ao redor porque, embora triste, ela bem que gosta desses locais vazios repletos de memória. O sopro do coração escreve-se em um caderno espiral pesado, pois ele é recheado dos assuntos importantes. E, enquanto disso, repara-se no decorrer dos dias.
O sopro do coração é como a primeira avenida asfaltada da América, em Motown. E como todas as outras tantas coisas que ela sabe e guarda em segredo sobre os lugares preciosos em que pisou. Em alguns, ela até morou e viveu. E mais: ela existiu. E alimentou com um sopro do coração.
Sopros ao coração são os moletons no frio, a gastura de andar de meia pela casa, as manhãs de sábado cheias de futuro, as caminhadas pelas ruas desertas de Budapeste, a mania de fazer voz para os cães como se eles falassem, o brilho em seus olhos ainda que escuros, aventurar-se por um ônibus da ex-URSS, e o riso gratuito ao fim do dia.
O sopro do coração pesa como uma luva leve ao tocar em suas mãos. Direciona a escrita. Parece uma luz ao fim do túnel. Soa como um plano do governo para melhorar a qualidade de vida - e isto tudo tem um nome tão mais bonito: welfare state. Enquanto isso, o dia vem caindo e a noite sobe como uma luz em direção ao infinito azul escuro que instala-se antes do anoitecer.
Já pensou em quantos dedos na mão tem aquela menina? E porque se sentiria presa, motionless e tantas outras coisas mais, nessa definição de palavras? Para que uma janela tão alta ao seu lado em uma hora nada conveniente como essa?
O sopro do coração deixou meus cabelos, sempre castanhos, presos e a brigar com o vento. Desenhei algo para então colorir, mas apaguei. Escrevi então um bilhete e coloquei inspiração. Cozinhei algo pois só o faco para a minha sobrevivência. Busquei o talento na gaveta da cozinha enquanto grifava poesia nos livros empoeirados mas sempre cheios de ternura. Observei as pessoas lá embaixo e fui arremetida por um pensamento. Tentei cantar uma música em minha cabeça, mas eu nunca me lembro da letra, apenas dos sons. Mordi a tampa da caneta, notei como os meus lábios estavam secos, lembrei-me de como adoro espirrar, e de como sempre descuido da minha saúde.
O sopro do coração envolveu-me em um abraço. Deixou seu cheiro e seu recado. Me fez recordar quem sou e ainda incitou a dúvida, como em uma página em branco em um dos meus vários cadernos. O sopro do coração é imenso e toma conta de mim como a saudade que sinto o tempo inteiro da minha irmã. As horas passam mas se houver tempo de prestar atenção, com muita sensibilidade nestes dias ocos, sente-se o sopro do coração.
O sopro do coração faz-me quem verdadeiramente sou.
O sopro do coração é leve como os ventos do sul que levam para o norte. Mora ao lado do número 2. Se parece com um papel de presente. Reside em uma caixinha no canto do armário. Olha pela janela de forma tímida. Alegra-se com as folhas secas que caem das árvores e avisam da renovação que se dará em breve.
O sopro do coração percorre as estradas que levam para longe. Não há importância alguma se há casas abandonadas ao redor porque, embora triste, ela bem que gosta desses locais vazios repletos de memória. O sopro do coração escreve-se em um caderno espiral pesado, pois ele é recheado dos assuntos importantes. E, enquanto disso, repara-se no decorrer dos dias.
O sopro do coração é como a primeira avenida asfaltada da América, em Motown. E como todas as outras tantas coisas que ela sabe e guarda em segredo sobre os lugares preciosos em que pisou. Em alguns, ela até morou e viveu. E mais: ela existiu. E alimentou com um sopro do coração.
Sopros ao coração são os moletons no frio, a gastura de andar de meia pela casa, as manhãs de sábado cheias de futuro, as caminhadas pelas ruas desertas de Budapeste, a mania de fazer voz para os cães como se eles falassem, o brilho em seus olhos ainda que escuros, aventurar-se por um ônibus da ex-URSS, e o riso gratuito ao fim do dia.
O sopro do coração pesa como uma luva leve ao tocar em suas mãos. Direciona a escrita. Parece uma luz ao fim do túnel. Soa como um plano do governo para melhorar a qualidade de vida - e isto tudo tem um nome tão mais bonito: welfare state. Enquanto isso, o dia vem caindo e a noite sobe como uma luz em direção ao infinito azul escuro que instala-se antes do anoitecer.
Já pensou em quantos dedos na mão tem aquela menina? E porque se sentiria presa, motionless e tantas outras coisas mais, nessa definição de palavras? Para que uma janela tão alta ao seu lado em uma hora nada conveniente como essa?
O sopro do coração deixou meus cabelos, sempre castanhos, presos e a brigar com o vento. Desenhei algo para então colorir, mas apaguei. Escrevi então um bilhete e coloquei inspiração. Cozinhei algo pois só o faco para a minha sobrevivência. Busquei o talento na gaveta da cozinha enquanto grifava poesia nos livros empoeirados mas sempre cheios de ternura. Observei as pessoas lá embaixo e fui arremetida por um pensamento. Tentei cantar uma música em minha cabeça, mas eu nunca me lembro da letra, apenas dos sons. Mordi a tampa da caneta, notei como os meus lábios estavam secos, lembrei-me de como adoro espirrar, e de como sempre descuido da minha saúde.
O sopro do coração envolveu-me em um abraço. Deixou seu cheiro e seu recado. Me fez recordar quem sou e ainda incitou a dúvida, como em uma página em branco em um dos meus vários cadernos. O sopro do coração é imenso e toma conta de mim como a saudade que sinto o tempo inteiro da minha irmã. As horas passam mas se houver tempo de prestar atenção, com muita sensibilidade nestes dias ocos, sente-se o sopro do coração.
O sopro do coração faz-me quem verdadeiramente sou.
6 de abr. de 2015
20 poucos anos esta noite
20 poucos anos esta noite foi o tempo que minha mãe me deu você. Me deu você como um presente, e me deixou escolher seu nome com tanto capricho e carinho.
20 e poucos anos foi tudo o que durou uma presença vivida, dessas como de filme de cinema, em que a pessoa está de pé ao seu lado. Estende-se a mão e se encosta nela. Esta noite.
E virão muito mais noites em que eu, parada ao pedestal de uma ponte sob o vento frio cortando o rosto e mexendo os cabelos, me perguntarei como escolher uma jaqueta azul sem a sua presença ao meu lado. Até minha mão parece com a sua, e como assim você está tão longe neste momento e em todos os outros que virão?
20 e poucos anos esta noite fazem que conheci você. Que a deixei tomar conta e espaço, que dividi o meu olhar contido. E todos os sonhos me foram embora como um sopro denso e breve. E a linha do tempo continuou reta até perder-se de vista. Onde tudo já era vivido, sobrou-se muita coisa: sobraram umas folhas de caderno em branco ainda nada escritas, os lugares interessantes em que viveu apenas por eu contar-te, as noites gélidas e quentes com muito amor, a exatidão dos minutos, a receita de um bolo, a letra escrita e toda trabalhada, a minha análise sob os centímetros, os nomes de filme com significado que me tocariam o coração e, claro, uma presilha de cabelo castanho meio curto, assim como você.
Todas as manhãs do tempo, e você não me está aqui. E me estou sozinha. E nem te chamo porque se te amei um dia você nunca irá-se embora. Neste momento, estou fazendo um uso exacerbado dos pronomes pessoais e possessivos porque, sem saber direito o que são, embora sejam. E encontro-me despida. Daí o uso frequente sem consultar gramatica alguma. Enquanto isso, o sol é o sol e o céu é azul no fundo.
20 poucos anos esta noite e tantas histórias ainda para se viver e outras tantas mais para se contar. O mundo é tão pequeno até que se dê uma volta no pólo norte. Sabe aquelas coisas que não lhe contei ainda, e os segredos que ainda nem percebi e as multidões paradas no ponto de ônibus? Sabe aquela mistura de cartões postais, os quais eu esqueci o nome? E a borda da bandeira marrom? Lembra-se dos grandes poetas no meio da noite? Sairão todos da minha boca pelos quatro cantos vazios onde ecoam-se os ecos e nada mais.
Há tanta coisa para se falar, para se dizer, para se calar e se entender. Há ainda tanta vida para ser vivida, e só tivemos 20 poucos anos esta noite. E todas as coisas que eu gostaria de lhe perguntar porque sei que jamais irei saber eu mesma? E toda aquela coisa de cientistas que você me conta de um jeito cor de rosa-shocking? As portas que batem, ainda que de vidro? E sobra um barulho ensurdecedor.
Lembro-me ainda dos poucos anos, em que éramos nada mais do que pequenas, e como eramos grandes. O tempo levou tudo isso para um esconderijo que é como uma caixinha de mãe, onde moram todas as ternuras do mundo.
20 poucos anos esta noite e eu ainda tenho o que me lamuriar, e sair para comer hambúrguer, e prometer nunca mais comer tanto só para deliciosamente ter esta promessa quebrada, contar os degraus de uma escada que significa tanta coisa na vida da gente, e ha também os livros que não lemos juntas e agora iremos ler em momentos separados. As letras de um alfabeto nórdico chegarão sempre com atraso e eu irei me perder toda, e ha ainda os caminhos molhados pela chuva. São apenas 20 poucos anos esta noite e ha tanto vivido e muito mais a se viver. Ha os momentos de uma juventude e a certeza de não saber. O jardins da biblioteca que poderia ser nosso refúgio, e as bandeirolas que caem sobre o parapeito da janela. O mergulho no azul marinho e o sorriso mais sincero da esquina dos charmes.
Oh, como é breve o tempo em que se vive perto, porque vive-se muito junto-separado, onde cá é sempre sol e verão, e lá é sempre outrora um inverno. Era uma vez um verão em nossas vidas, e o cheiro era tão bom que parecia outono. Tínhamos apenas 20 poucos anos e éramos irmãs tão diferentes mas parecidas, quase gêmeas. E éramos da mesma família e tínhamos juntas o gosto musical que você passou para mim. E tudo soou tão breve.
20 e poucos anos foi tudo o que durou uma presença vivida, dessas como de filme de cinema, em que a pessoa está de pé ao seu lado. Estende-se a mão e se encosta nela. Esta noite.
E virão muito mais noites em que eu, parada ao pedestal de uma ponte sob o vento frio cortando o rosto e mexendo os cabelos, me perguntarei como escolher uma jaqueta azul sem a sua presença ao meu lado. Até minha mão parece com a sua, e como assim você está tão longe neste momento e em todos os outros que virão?
20 e poucos anos esta noite fazem que conheci você. Que a deixei tomar conta e espaço, que dividi o meu olhar contido. E todos os sonhos me foram embora como um sopro denso e breve. E a linha do tempo continuou reta até perder-se de vista. Onde tudo já era vivido, sobrou-se muita coisa: sobraram umas folhas de caderno em branco ainda nada escritas, os lugares interessantes em que viveu apenas por eu contar-te, as noites gélidas e quentes com muito amor, a exatidão dos minutos, a receita de um bolo, a letra escrita e toda trabalhada, a minha análise sob os centímetros, os nomes de filme com significado que me tocariam o coração e, claro, uma presilha de cabelo castanho meio curto, assim como você.
Todas as manhãs do tempo, e você não me está aqui. E me estou sozinha. E nem te chamo porque se te amei um dia você nunca irá-se embora. Neste momento, estou fazendo um uso exacerbado dos pronomes pessoais e possessivos porque, sem saber direito o que são, embora sejam. E encontro-me despida. Daí o uso frequente sem consultar gramatica alguma. Enquanto isso, o sol é o sol e o céu é azul no fundo.
20 poucos anos esta noite e tantas histórias ainda para se viver e outras tantas mais para se contar. O mundo é tão pequeno até que se dê uma volta no pólo norte. Sabe aquelas coisas que não lhe contei ainda, e os segredos que ainda nem percebi e as multidões paradas no ponto de ônibus? Sabe aquela mistura de cartões postais, os quais eu esqueci o nome? E a borda da bandeira marrom? Lembra-se dos grandes poetas no meio da noite? Sairão todos da minha boca pelos quatro cantos vazios onde ecoam-se os ecos e nada mais.
Há tanta coisa para se falar, para se dizer, para se calar e se entender. Há ainda tanta vida para ser vivida, e só tivemos 20 poucos anos esta noite. E todas as coisas que eu gostaria de lhe perguntar porque sei que jamais irei saber eu mesma? E toda aquela coisa de cientistas que você me conta de um jeito cor de rosa-shocking? As portas que batem, ainda que de vidro? E sobra um barulho ensurdecedor.
Lembro-me ainda dos poucos anos, em que éramos nada mais do que pequenas, e como eramos grandes. O tempo levou tudo isso para um esconderijo que é como uma caixinha de mãe, onde moram todas as ternuras do mundo.
20 poucos anos esta noite e eu ainda tenho o que me lamuriar, e sair para comer hambúrguer, e prometer nunca mais comer tanto só para deliciosamente ter esta promessa quebrada, contar os degraus de uma escada que significa tanta coisa na vida da gente, e ha também os livros que não lemos juntas e agora iremos ler em momentos separados. As letras de um alfabeto nórdico chegarão sempre com atraso e eu irei me perder toda, e ha ainda os caminhos molhados pela chuva. São apenas 20 poucos anos esta noite e ha tanto vivido e muito mais a se viver. Ha os momentos de uma juventude e a certeza de não saber. O jardins da biblioteca que poderia ser nosso refúgio, e as bandeirolas que caem sobre o parapeito da janela. O mergulho no azul marinho e o sorriso mais sincero da esquina dos charmes.
Oh, como é breve o tempo em que se vive perto, porque vive-se muito junto-separado, onde cá é sempre sol e verão, e lá é sempre outrora um inverno. Era uma vez um verão em nossas vidas, e o cheiro era tão bom que parecia outono. Tínhamos apenas 20 poucos anos e éramos irmãs tão diferentes mas parecidas, quase gêmeas. E éramos da mesma família e tínhamos juntas o gosto musical que você passou para mim. E tudo soou tão breve.
20 de mar. de 2015
A noite do meu bem
A noite do meu bem é também minha. E de tudo o que aconteceu comigo.
Vem-se as noites, porque passam-se os dias, e ficam as coisas que duram, porque, estas, aconteceram.
Esqueça tudo o que senti: o que vale mesmo é o que se vive. Mas como saber, no fim das contas? Sabe-se de nada, tem-se certeza de tudo. Porque esta, e a outra, é a noite do meu bem.
A noite do meu bem é marcada, acontece como um punho forte de uma mão fechada. Mas envolve-me em um abraço doce. A noite do meu bem deixa-me incrivelmente alerta, com os olhos escuros dilatados, em estado natural, veja só.
A noite do dilúvio molhado, do dar as mãos em meio ao vazio, de caminhadas pelas ruas laterais sem folhas. Neste dia, ou melhor, nesta noite, descobre-se tudo que fala um coração.
A noite do meu bem tem artificies melódicos, um som que rima com a minha cara que eu chamarei de face, e os ouvidos atentos ao que não se diz. Abrace a minha mão - ou melhor, aperte-a. Deixe em mim um pouco do que é seu. Leve de mim também, que fui parte sua. Estenda-se aqui, um pouco mais, faz chover para mim, pois lhe peço, uma vez que gosto muito. Na noite do meu bem, senta ao meu lado em minha cama comigo. Encare meus livros de frente, pois vamos falar sobre os títulos. Ajude-me com o que for pesado, pois meus braços finos não conseguem carregar mais do que o peso dos meus ombros.
Encoste na parede branca, onde verei suas marcas invisíveis mas sempre perceptíveis aos meus olhos. Deixa seu cheiro no ar. Enxuga as mãos na toalha que coloquei há pouco no banheiro, molha o rosto para ajudar passar. A noite do meu bem vem, fica aqui comigo um instante, e já amanhece. Ainda assim, ela será eterna.
Há cacos pelo caminho dos pedaços da gente que a gente quebrou. Assim, a gente vai construindo. Era apenas um apito. Mas aconteceu.
Na noite do meu bem escuto tanta coisa bonita, e tudo vem dos seus lábios. Eu paro e penso e olho para o lado. Sim, eu paro e penso e olho para o lado. Espera aí, é isso mesmo? Então repete, porque eu não sabia. Então me diz mais uma vez, porque eu não acredito. Esse é o problema comigo, o meu ceticismo. Mas eu daria a ele outro nome.
A noite do meu bem é minha, e dele, e de nós dois. E de tudo o que é, foi e será a gente. Eu te olho nos olhos e te agradeço, até quando eu não quero agradecer eu agradeço. Eu paro, olho e escuto. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que eu, a vida e as coisas fossem muito mais fáceis, muito mais fáceis. Eu queria era sair correndo e só voltar quando o dia nascer de novo.
A noite do meu bem me soou tão doce que até deixou um buraco em meu coração apertado. Fiquei com emoções simultâneas, o que quer que isto signifique. Mas para mim diz muito. Eu estou aprendendo a entender, eu estou até escrevendo um pouquinho. Eu não sei de nada, eu só sei que foi assim e aconteceu desta maneira e quando eu me dei por mim já havia passado. Eu queria que tudo na vida e entre as pessoas e que me envolvesse fosse de um tom cuja cor é leve, doce e meiga. Eu queria muito isso, com toda a ternura do meu coração.
Desculpa, eu nunca quis machucar ninguém. Eu já fui machucada, mas dói muito mais quando a gente machuca alguém.
Meu bem, você é o meu bem esta e tantas outras noites.
Vem-se as noites, porque passam-se os dias, e ficam as coisas que duram, porque, estas, aconteceram.
Esqueça tudo o que senti: o que vale mesmo é o que se vive. Mas como saber, no fim das contas? Sabe-se de nada, tem-se certeza de tudo. Porque esta, e a outra, é a noite do meu bem.
A noite do meu bem é marcada, acontece como um punho forte de uma mão fechada. Mas envolve-me em um abraço doce. A noite do meu bem deixa-me incrivelmente alerta, com os olhos escuros dilatados, em estado natural, veja só.
A noite do dilúvio molhado, do dar as mãos em meio ao vazio, de caminhadas pelas ruas laterais sem folhas. Neste dia, ou melhor, nesta noite, descobre-se tudo que fala um coração.
A noite do meu bem tem artificies melódicos, um som que rima com a minha cara que eu chamarei de face, e os ouvidos atentos ao que não se diz. Abrace a minha mão - ou melhor, aperte-a. Deixe em mim um pouco do que é seu. Leve de mim também, que fui parte sua. Estenda-se aqui, um pouco mais, faz chover para mim, pois lhe peço, uma vez que gosto muito. Na noite do meu bem, senta ao meu lado em minha cama comigo. Encare meus livros de frente, pois vamos falar sobre os títulos. Ajude-me com o que for pesado, pois meus braços finos não conseguem carregar mais do que o peso dos meus ombros.
Encoste na parede branca, onde verei suas marcas invisíveis mas sempre perceptíveis aos meus olhos. Deixa seu cheiro no ar. Enxuga as mãos na toalha que coloquei há pouco no banheiro, molha o rosto para ajudar passar. A noite do meu bem vem, fica aqui comigo um instante, e já amanhece. Ainda assim, ela será eterna.
Há cacos pelo caminho dos pedaços da gente que a gente quebrou. Assim, a gente vai construindo. Era apenas um apito. Mas aconteceu.
Na noite do meu bem escuto tanta coisa bonita, e tudo vem dos seus lábios. Eu paro e penso e olho para o lado. Sim, eu paro e penso e olho para o lado. Espera aí, é isso mesmo? Então repete, porque eu não sabia. Então me diz mais uma vez, porque eu não acredito. Esse é o problema comigo, o meu ceticismo. Mas eu daria a ele outro nome.
A noite do meu bem é minha, e dele, e de nós dois. E de tudo o que é, foi e será a gente. Eu te olho nos olhos e te agradeço, até quando eu não quero agradecer eu agradeço. Eu paro, olho e escuto. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que eu, a vida e as coisas fossem muito mais fáceis, muito mais fáceis. Eu queria era sair correndo e só voltar quando o dia nascer de novo.
A noite do meu bem me soou tão doce que até deixou um buraco em meu coração apertado. Fiquei com emoções simultâneas, o que quer que isto signifique. Mas para mim diz muito. Eu estou aprendendo a entender, eu estou até escrevendo um pouquinho. Eu não sei de nada, eu só sei que foi assim e aconteceu desta maneira e quando eu me dei por mim já havia passado. Eu queria que tudo na vida e entre as pessoas e que me envolvesse fosse de um tom cuja cor é leve, doce e meiga. Eu queria muito isso, com toda a ternura do meu coração.
Desculpa, eu nunca quis machucar ninguém. Eu já fui machucada, mas dói muito mais quando a gente machuca alguém.
Meu bem, você é o meu bem esta e tantas outras noites.
13 de mar. de 2015
All the nights you don't show up
... she can feel the smell of dark air, while staring at nowhere. That's what her brown eyes are for.
It's been such a dark blue kind of lately.
Guess life's meaning for dark is deep and strong. Maybe there's some relevance in saying so.
So let the story begin:
it's the hair. It's the hair in the air. And her friend's confusion with ''a'' and ''h''. And you ask about a small market at a corner of a space shown in the news.
The night you don't show up she still sees your hands, with all the little detais. So many details, there are.
(I - me, myself - come into the scene to wonder how his mom made all that. Was it care, love or simply art?)
The steps are counted, the shake of hands becomes hugs which will eventually turn into goodbyes. And, yet it is winter, there are so many flowers across the path that's not hers. Her difficulty with commas in a foreign language reminds her of you. Now she knows it can be real. And nothing matters but what you mean when you say when you write.
The nights you don't show up are plain of you. They are created out of invented expressions. Of mistakes and learning. But not once forgetfulness.
The nights you don't show up she wastes dealing with her current boyfriend. They sure speak a different language yet they have the same mother tongue. She blinks because that helps time passing. If things are so simple, why is it that her confused brain takes her to a forest? This is going nowhere, you all know what I mean.
You can count the notebooks around her room, because there are so many. She writes out of the blue, she takes notes so she doesn't loose any aspect of life. She's so pissed off at her uncles being artists. And her mom was one as well. Oh, I guess you don't really choose what you ought to be.
The nights you don't show up have your constant smell, and she was the one who really-liked-it-the-most. These nights are like an empty street which leads to so many places. She could even choose. Nights out of you, if she could say it.
They are playful since you see all these people outside with their colorful clothes, despite of all things, despite of you not showing up at night. The nights you don't show up require so many walking and no moving. A stop by at a random bar she doesn't really care about. She's paying attention to the boring fence across the avenue.
The nights you don't show up speak with your voice, and call your name. I look to see nothing, but I know there has been. Nights like this bring with them all little presents from past. They end up making her write her friend, though she has no patience at the girlie drama from the East. She was certain they were supposed to be brave over there. Anyway.
The nights you don't show up keep the handwriting marked in her view. She sees all things because once in a while she feels with her heart. She googled map (isn't it right we can creat all and any verbs in English, which is good when you don't even know how to conjugate verbs in your own language - argh, those romance languages!) her last international spot. And was reminded of you. The coldness, the huge windows always closed which make her wonder why they exist in first place, heavy doors made out of woods, a dog or two or maybe one in every house, the weird roofs which aren't all the same at least, the architecture so different from one of her uncles', the hidden sun in the end of the street, no one outside, some forgotten trash cans, and of course trees with no leaves - all so gloomy and yet she likes it. How is it where you live???
The nights you don't show up you are still here.
It's been such a dark blue kind of lately.
Guess life's meaning for dark is deep and strong. Maybe there's some relevance in saying so.
So let the story begin:
it's the hair. It's the hair in the air. And her friend's confusion with ''a'' and ''h''. And you ask about a small market at a corner of a space shown in the news.
The night you don't show up she still sees your hands, with all the little detais. So many details, there are.
(I - me, myself - come into the scene to wonder how his mom made all that. Was it care, love or simply art?)
The steps are counted, the shake of hands becomes hugs which will eventually turn into goodbyes. And, yet it is winter, there are so many flowers across the path that's not hers. Her difficulty with commas in a foreign language reminds her of you. Now she knows it can be real. And nothing matters but what you mean when you say when you write.
The nights you don't show up are plain of you. They are created out of invented expressions. Of mistakes and learning. But not once forgetfulness.
The nights you don't show up she wastes dealing with her current boyfriend. They sure speak a different language yet they have the same mother tongue. She blinks because that helps time passing. If things are so simple, why is it that her confused brain takes her to a forest? This is going nowhere, you all know what I mean.
You can count the notebooks around her room, because there are so many. She writes out of the blue, she takes notes so she doesn't loose any aspect of life. She's so pissed off at her uncles being artists. And her mom was one as well. Oh, I guess you don't really choose what you ought to be.
The nights you don't show up have your constant smell, and she was the one who really-liked-it-the-most. These nights are like an empty street which leads to so many places. She could even choose. Nights out of you, if she could say it.
They are playful since you see all these people outside with their colorful clothes, despite of all things, despite of you not showing up at night. The nights you don't show up require so many walking and no moving. A stop by at a random bar she doesn't really care about. She's paying attention to the boring fence across the avenue.
The nights you don't show up speak with your voice, and call your name. I look to see nothing, but I know there has been. Nights like this bring with them all little presents from past. They end up making her write her friend, though she has no patience at the girlie drama from the East. She was certain they were supposed to be brave over there. Anyway.
The nights you don't show up keep the handwriting marked in her view. She sees all things because once in a while she feels with her heart. She googled map (isn't it right we can creat all and any verbs in English, which is good when you don't even know how to conjugate verbs in your own language - argh, those romance languages!) her last international spot. And was reminded of you. The coldness, the huge windows always closed which make her wonder why they exist in first place, heavy doors made out of woods, a dog or two or maybe one in every house, the weird roofs which aren't all the same at least, the architecture so different from one of her uncles', the hidden sun in the end of the street, no one outside, some forgotten trash cans, and of course trees with no leaves - all so gloomy and yet she likes it. How is it where you live???
The nights you don't show up you are still here.
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